domingo, 14 de abril de 2013

Sublimar a violência ou a violência subliminar


A galeria é a rua
É minha
E é tua

A contradição está nua
Ao pé do morro
E do gozo de ser rua

Estou descalça de mim nesta cidade
Azul de Si
E de tantos Dós que não escuto mais

Quero com urgência as seis notas sem Dó
Porque não tenho mais Dó

Eu tenho é Sol
E nós




terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Interdocilização

Processa
Inter-disciplina
Encontra
Integra
Integraliza-ação
Entrega
Entre-vê-já
Regra-não
Rega-sim
Lá e cá
Inter-trans-tem
Entretêm
Em-tom
Doce
Dociliza-ação
Pela
Inter-dociliza-ação




terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A cidade


A cidade choca
Da janela do avião que parte
E me parte em dois

A cidade chora
Em gotas de chumbo
Num desavisar contínuo
Por vezes mecânico e azul

A cidade ponta
E parte em vão

A cidade lança
Olhares, flechas e prumos

A cidade avança
Pensando novos rumos pra mim e pra ti

A cidade avisa
Que o fácil pesa no lombo de quem fica

A cidade chama
Enxames
De gente e de lama

A cidade em chamas
Violeta
De dores ainda pouco conhecidas

A cidade abana
Havana
Cali
Pequim

A cidade abusa
E encontra um som por onde entra

A cidade lisa
Sem qualquer pedregulho ou cacho sem fim

A cidade pisa
E dói em quem chega de mais uma viagem definitiva

A cidade lusa
Ainda que Oliveiras falhem e Gomes percam toda sua fortuna

A cidade vaza
Por poros e valas afins

A cidade prisma
E prima por ti

A cidade curva
Te leva presentes
E todos os teus parentes

A cidade vinga
Antigos e novos moradores
Amargados pela saída
Ou pela chegada

A cidade nota
Que ricos e pobres
Dividem o mesmo desprezo pelos seus

A cidade acusa
A cidade cara

A cidade assusta
E cai sobre aqueles que teimam em entrar pela porta da frente

A cidade mora
E é mor em tudo que vê
E fala porque sabe

A cidade nua
A cidade nunca
Sai de mim

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ano-primo

Passado o ano de números pares
Intocado de humores e preces comuns
Chega o ano de números primos
Tão primos
Que ofuscam qualquer secundário que se aproxime

À lona foram todos
Primos, pares, cadeiras e espumantes
Restou apenas o rio que não é rio
E não ria
Pois um lago, que fora chamado de rio durante décadas,
É assunto de absoluta seriedade

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


Selvagem
Tudo que não pode ser
Nada pode ser
Pintado ou
Inspecionado
Tudo pode ser geral
É original
E mostra o espírito
O tumultuado
Espírito




Que a forma do meu corpo não me empeça de ser eu mesma
Que o passado mais fique
Que venha
Que as pressas fiquem presas
E os vestidos
Rodados

Que eu não precise pedir mais
Que eu não precise
Demais

Que a força do que vejo
Pouse calma e segura

Que os dedos cheguem
Que as ondas passem
Que o tempo
Urja

domingo, 25 de novembro de 2012

Domingos in vento

Domingo sem vento e sem sono
Pressa de partir, pensar e chover
Passos rasteiros até o banheiro
Novidade nenhuma

Ontem te vi de lado e corri
Sentaste palavras soltas no meu colo
E resposta, não escutaste

Na verdade tenho sono
Mas a cortina tem mais frestas do que eu
Cabelos
E o que passa por mim é tão íngreme e fixo
Que mal posso tocar
Então, levanto
E caio feito abacate maduro no rastro da porta de entrada