quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Ano-primo

Passado o ano de números pares
Intocado de humores e preces comuns
Chega o ano de números primos
Tão primos
Que ofuscam qualquer secundário que se aproxime

À lona foram todos
Primos, pares, cadeiras e espumantes
Restou apenas o rio que não é rio
E não ria
Pois um lago, que fora chamado de rio durante décadas,
É assunto de absoluta seriedade

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012


Selvagem
Tudo que não pode ser
Nada pode ser
Pintado ou
Inspecionado
Tudo pode ser geral
É original
E mostra o espírito
O tumultuado
Espírito




Que a forma do meu corpo não me empeça de ser eu mesma
Que o passado mais fique
Que venha
Que as pressas fiquem presas
E os vestidos
Rodados

Que eu não precise pedir mais
Que eu não precise
Demais

Que a força do que vejo
Pouse calma e segura

Que os dedos cheguem
Que as ondas passem
Que o tempo
Urja

domingo, 25 de novembro de 2012

Domingos in vento

Domingo sem vento e sem sono
Pressa de partir, pensar e chover
Passos rasteiros até o banheiro
Novidade nenhuma

Ontem te vi de lado e corri
Sentaste palavras soltas no meu colo
E resposta, não escutaste

Na verdade tenho sono
Mas a cortina tem mais frestas do que eu
Cabelos
E o que passa por mim é tão íngreme e fixo
Que mal posso tocar
Então, levanto
E caio feito abacate maduro no rastro da porta de entrada

sábado, 21 de julho de 2012

15 mais 7, vinte-e-três

Domingo-de-sol-no-edredon-colorido

Flor-de-maça-na-janela-do vidro

Dedos-rápidos-e rasteiros

Secos-no-ouvido

6 mais 7, vinte-um

Sábado-com-cara-de-domingo
Férias-com-cara-de-trabalho
Frango-sem-pele-e-sem-gosto
Gosto-de-coro-inflamado
Pele-exposta-na-lama
Pede-posta-com-cama.


domingo, 15 de julho de 2012

Te encontro nas minhas linhas em branco

Me descobri poeta
Quando
Minhas linhas em branco
Foram
Pouco a pouco
Ocupando o lugar
Dos meus pontos finais.