domingo, 29 de abril de 2012
Domingo 1
Domingo-cinza-amarelado-chimarrão-pura-folha-dor-na-lombar-teclado-dispendioso-manu-gorducha-no-meu-colo.
quinta-feira, 29 de março de 2012
...
Acordo em meio a ervas e fumaças
Minhas escassas letras já não ressoam do teu lado
Contento larvas em punhados
Reviso cartas
Aqueço tintas
Repouso em osso
Não lembro dos tempos de lá
Pontos de pedra e de lã
Achados de purpurina seca
Inéditos afins
Pensava passar mais tempo em ti
Contadas semanas seriam se teu pé me fosse mais sóbrio
Se tua boca me fizesse mais sentido
Se meus calos te possuíssem mais
Mas não espero de ti o que não posso me dar
Sei dos fios que teci
Das esperas profícuas
Dos roncos e destronados jeitos
Vi-me borboleta perdida
Roxeada em poças de carvalho
Crua por fora
Amarela porfim.
quarta-feira, 21 de março de 2012
A Poeta Pérola
olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas
Ana Cristina Cesar
terça-feira, 20 de março de 2012
Dois em um 2
Eram dois pontos
À procura de uma linha.
Dois pontos
Dois pontos
Desgarrados e famintos.
Dois pontos
Dois pontos
Que
De repente
Se queriam um.
Um ponto
Um ponto
Para preencher o peito e a cabeça
Um ponto
Um ponto
Para amar mais a vida
Um ponto
Um ponto
Unindo dois
Pombos.
(poema selecionado para o projeto "Um poema em cada árvore" - http://www.institutopsia.org/)
sexta-feira, 9 de março de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Nada acontece duas vezes
Nada acontece duas vezes
nem vai acontecer, por isso
sem experiência nascemos
nem vai acontecer, por isso
sem experiência nascemos
sem rotina morreremos
Nessa escola do mundo
nem sendo maus alunos
repetiremos um ano,
um inverno, um verão.
Nunca é o mesmo dia,
não há duas noites parecidas,
igual olhos-nos-olhos,
dois beijos que se repitam.
Ontem enquanto teu nome
em voz alta pronunciavam
senti como se uma rosa
caísse pela janela.
Agora que estamos juntos
me volto em direção ao muro.
Rosa? Como é a rosa?
Nessa escola do mundo
nem sendo maus alunos
repetiremos um ano,
um inverno, um verão.
Nunca é o mesmo dia,
não há duas noites parecidas,
igual olhos-nos-olhos,
dois beijos que se repitam.
Ontem enquanto teu nome
em voz alta pronunciavam
senti como se uma rosa
caísse pela janela.
Agora que estamos juntos
me volto em direção ao muro.
Rosa? Como é a rosa?
Como uma flor ou uma pedra?
Me diz por que, ó céus,
Com medo inútil te mesclas.
És e por isso passas
Passas, por isso és bela.
Meio abraçados, sorrindo,
Buscaremos o juízo
Ainda sendo tão diferentes
Como duas gotas de água pura.
Poema de Wislawa Symborska
Tradução livre do espanhol por Juliana Ben
Me diz por que, ó céus,
Com medo inútil te mesclas.
És e por isso passas
Passas, por isso és bela.
Meio abraçados, sorrindo,
Buscaremos o juízo
Ainda sendo tão diferentes
Como duas gotas de água pura.
Poema de Wislawa Symborska
Tradução livre do espanhol por Juliana Ben
sábado, 25 de fevereiro de 2012
Nada sucede dos veces
Nada sucede dos veces
ni va a suceder, por eso
sin experiencia nacemos,
sin rutina moriremos.
En esta escuela del mundo
ni siendo malos alumnos
repetiremos un año,
un invierno, un verano.
No es el mismo ningún día,
no hay dos noches parecidas,
igual mirada en los ojos,
dos besos que se repitan.
Ayer mientras que tu nombre
en voz alta pronunciaban
sentí como si una rosa
cayera por la ventana.
Ahora que estamos juntos,
vuelvo la cara hacia el muro.
¿Rosa? ¿Cómo es la rosa?
¿Como una flor o una piedra?
Dime por qué, mala hora,
con miedo inútil te mezclas.
Eres y por eso pasas.
Pasas, por eso eres bella.
Medio abrazados, sonrientes,
buscaremos la cordura,
aun siendo tan diferentes
cual dos gotas de agua pura.
De Wislawa Szymborska, 1957
Versión de Gerardo Beltrán
ni va a suceder, por eso
sin experiencia nacemos,
sin rutina moriremos.
En esta escuela del mundo
ni siendo malos alumnos
repetiremos un año,
un invierno, un verano.
No es el mismo ningún día,
no hay dos noches parecidas,
igual mirada en los ojos,
dos besos que se repitan.
Ayer mientras que tu nombre
en voz alta pronunciaban
sentí como si una rosa
cayera por la ventana.
Ahora que estamos juntos,
vuelvo la cara hacia el muro.
¿Rosa? ¿Cómo es la rosa?
¿Como una flor o una piedra?
Dime por qué, mala hora,
con miedo inútil te mezclas.
Eres y por eso pasas.
Pasas, por eso eres bella.
Medio abrazados, sonrientes,
buscaremos la cordura,
aun siendo tan diferentes
cual dos gotas de agua pura.
De Wislawa Szymborska, 1957
Versión de Gerardo Beltrán
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