Esse foi um ano
dos bons. Daqueles que dão um cansaço na gente, mas que valem cada esforço. Foi
um ano de colheita e de novas sementes. Ano de mooncup, multigraphias e cor da
cultura. Ano de projetos, ensino e pesquisa. Ano de apostas profícuas e tiros
certeiros; de feldenkrais, domingos ensolorados, progesterona líquida e ioga
tântrica. Ano de muito amor; de liberdade, intuição e alfarroba. Ano de azul e
bege. De despedidas, nascimentos e reencontros. Ano de agarrar com todas as
forças aquilo que realmente importa. Ano de poesia na cidade e mobilidade
urbana. De cara na rua e união política. De menos medo e mais ação. Este foi um
ano de vontades coloridas; de tempestades renovadoras. Ano de estar. Ano em
par. Ano ímpar.
domingo, 15 de dezembro de 2013
sábado, 16 de novembro de 2013
Caminhando na cidade
rastro
pedaço de
passagem que fica
no passo
rasura
ronda que faz dos
dedos
bolhas de giz
assusta
formas tão móveis
e puras
mortas tão peles
as tuas
astúcia
teu jeito de
sempre ir e vir
não previne nem
curva
pede bocas de
jasmim.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Dicionário de sufixos
SOL DA GENTE
SOLDAGEM
SOM
DA GENTE
SONDAGEM
SOL
SOLDA
SÓ AGE
SÓ
SÓ ARDE
SÓ
SODA
SAUDADE
SOU DA __________
SOU
VAGEM
SELVAGEM
SEM
VADIAGEM, SEU VLADI!
SEI DAR DE __________
VIAGEM
MIRA
AGE
MIRAGEM
CIDADE-CORA
CORA
E
AGE
CORAGEM.
domingo, 14 de abril de 2013
Sublimar a violência ou a violência subliminar
A galeria é a rua
É minha
E é tua
A contradição está nua
Ao pé do morro
E do gozo de ser rua
Estou descalça de mim nesta cidade
Azul de Si
E de tantos Dós que não escuto mais
Quero com urgência as seis notas sem Dó
Porque não tenho mais Dó
Eu tenho é Sol
E nós
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Interdocilização
Processa
Inter-disciplina
Encontra
Integra
Integraliza-ação
Entrega
Entre-vê-já
Regra-não
Rega-sim
Lá e cá
Inter-trans-tem
Entretêm
Em-tom
Doce
Dociliza-ação
Pela
Inter-dociliza-ação
Inter-disciplina
Encontra
Integra
Integraliza-ação
Entrega
Entre-vê-já
Regra-não
Rega-sim
Lá e cá
Inter-trans-tem
Entretêm
Em-tom
Doce
Dociliza-ação
Pela
Inter-dociliza-ação
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
A cidade
A cidade
choca
Da janela
do avião que parte
E me parte
em dois
A cidade
chora
Em gotas
de chumbo
Num
desavisar contínuo
Por vezes
mecânico e azul
A cidade
ponta
E parte em
vão
A cidade
lança
Olhares,
flechas e prumos
A cidade
avança
Pensando
novos rumos pra mim e pra ti
A cidade
avisa
Que o
fácil pesa no lombo de quem fica
A cidade
chama
Enxames
De gente e
de lama
A cidade
em chamas
Violeta
De dores
ainda pouco conhecidas
A cidade
abana
Havana
Cali
Pequim
A cidade
abusa
E encontra
um som por onde entra
A cidade
lisa
Sem
qualquer pedregulho ou cacho sem fim
A cidade
pisa
E dói em
quem chega de mais uma viagem definitiva
A cidade
lusa
Ainda que
Oliveiras falhem e Gomes percam toda sua fortuna
A cidade
vaza
Por poros
e valas afins
A cidade
prisma
E prima
por ti
A cidade
curva
Te leva
presentes
E todos os
teus parentes
A cidade
vinga
Antigos e
novos moradores
Amargados
pela saída
Ou pela
chegada
A cidade
nota
Que ricos
e pobres
Dividem o
mesmo desprezo pelos seus
A cidade
acusa
A cidade
cara
A cidade
assusta
E cai
sobre aqueles que teimam em entrar pela porta da frente
A cidade
mora
E é mor
em tudo que vê
E fala
porque sabe
A cidade
nua
A cidade
nunca
Sai de mim
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Ano-primo
Passado o ano de números pares
Intocado de humores e preces comuns
Chega o ano de números primos
Tão primos
Que ofuscam qualquer secundário que se aproxime
À lona foram todos
Primos, pares, cadeiras e espumantes
Restou apenas o rio que não é rio
E não ria
Pois um lago, que fora chamado de rio durante décadas,
É assunto de absoluta seriedade
Intocado de humores e preces comuns
Chega o ano de números primos
Tão primos
Que ofuscam qualquer secundário que se aproxime
À lona foram todos
Primos, pares, cadeiras e espumantes
Restou apenas o rio que não é rio
E não ria
Pois um lago, que fora chamado de rio durante décadas,
É assunto de absoluta seriedade
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
domingo, 25 de novembro de 2012
Domingos in vento
Domingo sem vento e sem sono
Pressa de partir, pensar e chover
Passos rasteiros até o banheiro
Novidade nenhuma
Ontem te vi de lado e corri
Sentaste palavras soltas no meu colo
E resposta, não escutaste
Na verdade tenho sono
Mas a cortina tem mais frestas do que eu
Cabelos
E o que passa por mim é tão íngreme e fixo
Que mal posso tocar
Então, levanto
E caio feito abacate maduro no rastro da porta de entrada
Pressa de partir, pensar e chover
Passos rasteiros até o banheiro
Novidade nenhuma
Ontem te vi de lado e corri
Sentaste palavras soltas no meu colo
E resposta, não escutaste
Na verdade tenho sono
Mas a cortina tem mais frestas do que eu
Cabelos
E o que passa por mim é tão íngreme e fixo
Que mal posso tocar
Então, levanto
E caio feito abacate maduro no rastro da porta de entrada
sábado, 21 de julho de 2012
15 mais 7, vinte-e-três
Domingo-de-sol-no-edredon-colorido
Flor-de-maça-na-janela-do vidro
Dedos-rápidos-e rasteiros
Secos-no-ouvido
Flor-de-maça-na-janela-do vidro
Dedos-rápidos-e rasteiros
Secos-no-ouvido
6 mais 7, vinte-um
Sábado-com-cara-de-domingo
Férias-com-cara-de-trabalho
Frango-sem-pele-e-sem-gosto
Gosto-de-coro-inflamado
Pele-exposta-na-lama
Pede-posta-com-cama.
Férias-com-cara-de-trabalho
Frango-sem-pele-e-sem-gosto
Gosto-de-coro-inflamado
Pele-exposta-na-lama
Pede-posta-com-cama.
domingo, 15 de julho de 2012
Te encontro nas minhas linhas em branco
Me descobri poeta
Quando
Minhas linhas em branco
Foram
Pouco a pouco
Ocupando o lugar
Dos meus pontos finais.
Quando
Minhas linhas em branco
Foram
Pouco a pouco
Ocupando o lugar
Dos meus pontos finais.
domingo, 17 de junho de 2012
Domingo 17
Pantufa-de-ovelha-e-coração-vermelho.
Unha-folha-descascada-de-tédio-e-desejo.
Amassa-fio-ferro-solto.
No-pé
Ponteiro.
Unha-folha-descascada-de-tédio-e-desejo.
Amassa-fio-ferro-solto.
No-pé
Ponteiro.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Vim virada numa porta de roda em sombra à mostra e oca
Acordei oca
Oca de pedra e de lenha
Oca de ti
Oca de ostra
Mostra
Onda-tormento-menor
Leva o que me sobra
E movimenta meus dedos
Para que possam tocar os teus
Sombra
Sobra de cor
De corda
De louça
Não lavaste e não foste
Nem ao menos soubeste do meu calo maior
Nem ao menos provaste as gotas do breu
Roda
De pontas acesas e sondáveis
De um vinho que ofusca a pele
E poda o vento
Porta
Presa por mim
Pressa por vir
Impressa em vis
Marcos marrons
Porca
De parafusos amassados em bocas de pia
Em busca de vida
Vira
Olha pra mim
Não vidra no que eu não disse
Não adivinha o que eu não peço
Vinha
Tinha
Lágrima de pinha.
Oca de pedra e de lenha
Oca de ti
Oca de ostra
Mostra
Onda-tormento-menor
Leva o que me sobra
E movimenta meus dedos
Para que possam tocar os teus
Sombra
Sobra de cor
De corda
De louça
Não lavaste e não foste
Nem ao menos soubeste do meu calo maior
Nem ao menos provaste as gotas do breu
Roda
De pontas acesas e sondáveis
De um vinho que ofusca a pele
E poda o vento
Porta
Presa por mim
Pressa por vir
Impressa em vis
Marcos marrons
Porca
De parafusos amassados em bocas de pia
Em busca de vida
Vira
Olha pra mim
Não vidra no que eu não disse
Não adivinha o que eu não peço
Vinha
Tinha
Lágrima de pinha.
sábado, 12 de maio de 2012
domingo, 6 de maio de 2012
Domingo 2
Cabelo-comprido-torcicolo-sorriso-ana-cristina-sushi-na-varanda-mate-leão-gelado-inter-goleado.
domingo, 29 de abril de 2012
Domingo 1
Domingo-cinza-amarelado-chimarrão-pura-folha-dor-na-lombar-teclado-dispendioso-manu-gorducha-no-meu-colo.
quinta-feira, 29 de março de 2012
...
Acordo em meio a ervas e fumaças
Minhas escassas letras já não ressoam do teu lado
Contento larvas em punhados
Reviso cartas
Aqueço tintas
Repouso em osso
Não lembro dos tempos de lá
Pontos de pedra e de lã
Achados de purpurina seca
Inéditos afins
Pensava passar mais tempo em ti
Contadas semanas seriam se teu pé me fosse mais sóbrio
Se tua boca me fizesse mais sentido
Se meus calos te possuíssem mais
Mas não espero de ti o que não posso me dar
Sei dos fios que teci
Das esperas profícuas
Dos roncos e destronados jeitos
Vi-me borboleta perdida
Roxeada em poças de carvalho
Crua por fora
Amarela porfim.
quarta-feira, 21 de março de 2012
A Poeta Pérola
olho muito tempo o corpo de um poema
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas
até perder de vista o que não seja corpo
e sentir separado dentre os dentes
um filete de sangue
nas gengivas
Ana Cristina Cesar
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